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Nesta semana estive pensando sobre o aprisionamento do amor. Em minha profissão aprendi a "ler" a mente humana, principalmente quando a questão é a agonia do amor, seja ele qual for. Por que será que algumas pessoas procuram estar reféns desse sentimento, em vez de desfrutá-lo? Impiedosamente, maltratam os seus corações com a procura constante para explicações que jamais serão encontradas.
Muitos vivem assustados em suas cavernas úmidas e sem luz, apenas com a visão das imagens de seu cérebro. As lembranças vividas não podem ser apagadas, talvez amenizadas, substituídas. Mas tem gente que parece não preferir voltar a ser feliz. E qual seria a razão? Foi então que pensei neste tema: tornar-se refém de alguém. Tive a curiosidade de ir ao dicionário para definir essa palavra, e, quem sabe, podermos entender melhor o porquê dessa prisão que nos leva a calabouços desastrosos.
Refém: "Pessoa que o inimigo, o assaltante, etc, mantém em seu poder para garantir promessa, tratado, fuga, resgate".
Podemos perceber que é exatamente assim que uma pessoa se sente quando está nas mãos do outro e não consegue se libertar. Está em seu poder. Os fracos sentem à distância o cheiro de mulheres que precisam ficar atreladas aos seus perniciosos desejos. Agem como querem. Escondem suas histórias. Nada de intimidade, apenas delícias. Sim, sexo, encontros rápidos, de preferência.
Tudo parece lindo até que um dia você começa a perceber que não é mais você mesma. Agora pertence ao mundo dele. Faz tudo para agradá-lo, com medo danado de perdê-lo. As manias dele, no início, parecem ser tão "bonitinhas". Depois começam a ferir seu coração. É uma angústia constante, um maltrato tremendo à sua carne, pele, viço de viver e sua alma.
A reclusão que lhe foi imposta pelo "inimigo emocional" a impede de se tornar mais alegre. Afinal, você não acredita mais nesse sentimento. Tornou-se refém de uma promessa que jamais se realiza. O assaltante vem até você e busca o resgate para melhorar seu dia, nada mais. Com as mãos vazias, começa a sentir que está com um rombo imenso dentro de si mesma. A aflição é louca, nada consegue afastar seus pensamentos da época em que se achava animada, a mais amada e querida. Foi um equívoco, amiga, é hora da virada.
Não se pode permitir que uma etapa da existência que não foi boa se prolongue tanto. Ela irá açoitar suas forças, será um peso em sua caminhada e tudo (tudo mesmo) que vier para que possa ser vivido, como uma mudança amorosa, por exemplo, é assustador. Senão, você foge para a caverna de novo. Quer permanecer sozinha, com uma sensação de vazio brutal. O tal assaltante levou sua melhor parte e agora você morre de medo de amar de novo.
Que vontade de ficar naquele buraco escurinho, quietinha com os morcegos pendurados e de olhos fechados, sem incomodar. O vazio da alma é coisa séria. Não se pode entregar-se à dor de qualquer maneira. É necessário lutar e procurar esvaziar o lixo que foi acumulado.
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