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Paixões desmedidas
Mulher que investe em paixões sem medidas pode sofrer sérias decepções
Por Beth Valentim • 26/09/2008

Você já teve a nítida impressão de que viveu um pesadelo? Que um fantasma habitou seu ser e deslocou suas manias, jogou para cima as alegrias e mexeu completamente com sua sexualidade? Pois isso pode acontecer! Cuidado para não se esborrachar no chão, quando notar que de real essas cenas da vida não têm nada. Esta história que você vai ler mais abaixo pode ser uma das histórias de mulheres que amam demais ou que apostam nos sentimentos sem medo de perder. Perigo? Sim! Com essa pressa em ser feliz, pode nem perceber que ao seu lado está um homem-fake.

Eu achava que ele era tudo. Imagine uma taça de cristal cheinha de chocolate, bolas de sorvetes e chantilly. Era como o sentia, um sabor indescritível! A voz era um delírio. Suas mãos queimavam meu corpo. Os arrepios eram tão diferentes do que os de antes, que assustavam. Os dias que passávamos juntos pareciam mágicos, o relógio não fazia parte de nossas vidas.

Os lugares por onde passava tinham seu cheiro, alegria, deboche, frases que jurava jamais ter escutado

Planejamento de fim de semana? Um telefonema e em poucos minutos estava com a mochila nas costas. A mala enorme do passado foi substituída pela praticidade da paixão - ribana, jeans, sandália sexy e outros itens que o faziam babar. Calcinhas pequenas com rendinhas - românticas e sensuais. Uma combinação explosiva!

Vivia dias de loucura e noites tórridas. O crescimento profissional não era prioridade, o negócio era ser desejada, sentir que a vida podia terminar no dia seguinte. Meu corpo nunca esteve tão bonito, pelo menos ele dizia isso sem parar. Então, para que espelho para atrapalhar? Os defeitos que pareciam tormenta sumiram. Era "princesa" para lá, "gostosa" para cá, "meu amor" ou qualquer palavra que nem de longe fizesse parte da riqueza da língua portuguesa. Todas instigavam minha libido.

Os lugares por onde passava tinham seu cheiro, alegria, deboche, frases que jurava jamais ter escutado. Certa vez, na vitrine de uma confeitaria, vi um doce maravilhoso. Escorria creme pelos lados, a aparência era de pureza com a pitada do pecado. Lembrava-me quando fazíamos amor. Telefonei para ele e disse: "Tem um doce bem à minha frente que se parece com a gente". Ele morreu de rir e perguntou por que razão. Respondi: "Porque é gostoso, e é repleto de cheiros e sabores".

Ele adorava esse meu jeito despojado e livre. Dizia que ficava impressionado com tanta felicidade. Confesso que minha vida era low profile - pensamentos ao vento, risada rasgada e pés nas nuvens. Quanta certeza de que aquele tudo era tudo mesmo! Não pensava em nada, queria viver só o lado bom da vida.

De uma semana para outra, ele começou a mudar. Mostrava-se arredio, sem tempo para me ver. Não mais ia dormir comigo. Deixei para lá, afinal quem não tem problemas? Enfeitiçada, não enxergava um palmo diante do nariz. Na semana seguinte chegou uma carta. Fiquei gelada, coisas do coração a gente sente logo. Li e não acreditei. Tinha partido na véspera, sem se despedir. Assumiu um trabalho no exterior. Dizia que era a mulher de sua vida, mas não podia viver comigo uma relação naquele momento. Que fiz tudo por ele. Que jamais iria me esquecer. Faltou coragem de se despedir, afinal ele era fake. Por que não contou seus planos de trabalho?







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