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Para certas pessoas, esconder a aliança ao sair e mentir sobre horários e destinos é comum. Se um detetive as seguisse, decretaria o fim de seu namoro ou casamento. Eles não resistem à tentação de um rabo-de-saia, elas se derretem por homens que não os seus. Afinal, será que "a carne é fraca" mesmo? Na semana passada, a atriz Scarlett Johansson, que já foi considerada a mais sexy do planeta, afirmou que "ser fiel é cansativo" para atores. E para quem não é do meio artístico e, ainda assim, não consegue se relacionar com uma pessoa só? Qual seria a justificativa para tal comportamento?
Em boa parte das vezes, a curiosidade, aliada ao impulso e à oportunidade, e os problemas no relacionamento são os principais fatores que levam uma pessoa à traição. Segundo o terapeuta sexual e urologista Celso Marzano, diretor do Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade, a lista de justificativas para não ser fiel é ainda maior e pode envolver: a sensação de perigo, a sensação de poder, vingança, necessidade de autoconfiança, vaidade, insatisfação, cultura, novidade e carência. "As pessoas traem por muitos motivos e estes motivos são individuais. Traem porque acham que estão sendo traídos, porque não confiam em ninguém e querem trair primeiro, por não terem certeza de que estão com o melhor, para ter certeza de que amam, pela sensação de liberdade, porque 'a grama do vizinho é sempre mais verde', porque 'quem come mal está sempre beliscando' etc", enumera o sexólogo.
Alguns até pregam a idéia de que o ser humano é um animal poligâmico por natureza e monogâmico por obrigação. Fato ou mito, é mais uma das alegações de quem levanta a bandeira da liberdade sexual. Diogo*, de 25 anos, por exemplo, se diz um amante das mulheres. "Até tento ficar com uma só, mas acho que não nasci para isso. Um balançar de cabelos e uma bela cruzada de pernas já me deixam doido. Agora estou namorando sério, mas se uma menina me vem com aquele olhar na boate, não me faço de rogado", conta. A namorada, por enquanto, nem desconfia... Pelo menos é o que ele diz. "Meus amigos dizem que eu só vou 'tomar jeito' quando me apaixonar de verdade. Não sei. Adoro minha namorada atual, a trato muito bem e não pretendo deixá-la, até porque, além do sexo, rola sentimento, carinho. Só que também sinto falta de conhecer gente diferente. Ser exclusivo de uma é se privar demais", opina ele.
Camila*, de 31 anos, assume que também já traiu diversas vezes seus parceiros fixos. Mas tudo começou a partir de uma traição que sofreu. "Meu primeiro namorado me traía direto durante os quatro anos que estivemos juntos. Mas eu acreditava nele e me mantinha fiel. Quando descobri quantas ele já tinha levado para a cama, resolvi pagar na mesma moeda. Acabei gostando e aprendi a ser menos 'bobinha'. Quando casei, eu só me envolvia raramente com um ex, e estava disposta a parar com isso, até o dia em que vi que meu marido também não era santo e dava em cima de uma colega de trabalho. Hoje, antes que pense em me enganar, já estou provando outras paixões proibidas", revela.
Falsa liberdade?
E será que não surge um certo remorso depois da pulada de cerca? Camila confessa que já se arrependeu de traições, mas poucas vezes: "É claro que tem hora que bate aquela culpa, principalmente se o encontro ou a transa não foi legal ou se você só fez aquilo no impulso de descontar sentimentos ruins, e não por desejo. Não é sempre, porém. Já conheci caras maravilhosos e até fiz amizades sinceras por não ter medo de me envolver com outros parceiros. Ninguém é mais dono do meu corpo e da minha cabeça do que eu mesma", acredita Camila. O sentimento de liberdade, no entanto, pode não satisfazer todos os que buscam aventuras fora do casamento e do namoro. A compulsão sexual pode ser uma das causas e conseqüências de traições constantes. "A diferença está na necessidade repetitiva de trair. A traição ou o sexo passa a dominar as atividades da vida da pessoa e acarreta prejuízos para si próprio, ou seja, a pessoa perde o controle do impulso sexual, sente uma constante necessidade de buscar sexo ou casos e vira dependente", explica Celso Marzano.
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