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sabado..preguiça
O casamento é uma das decisões mais importantes na vida de uma pessoa. Talvez empatado com a escolha da profissão, provavelmente só perde para a opção de ter um filho. Seja na igreja ou no cartório, ou mesmo sem assinar documentos, ele representa a união de dois indivíduos que desejam permanecer juntos para sempre; até o fim de suas vidas. Não é difícil então, entender a decepção do casal quando as coisas não vão bem. Embora ainda haja amor, as crises conjugais podem tornar o relacionamento insustentável.
As tensões que ocorrem numa relação podem ter as mais diferentes origens: distância de um dos parceiros, que pode estar mais focado no trabalho; necessidade sexual maior de uma das partes que não é suprida (em compensação, o outro se sente cobrado e infeliz por não atender às expectativas de seu cônjuge); salários discrepantes, especialmente quando a mulher ganha mais; e até a chegada de um filho. Tudo isso pode se tornar razão para uma desordem em casa. O que fazer? Na verdade, a primeira providência é chegar à raiz do problema.
Diálogo sempre
Roberto Shinyashiki, psiquiatra e autor de "Amar pode dar certo", entre outros livros, comenta que, tratando-se de conflitos interpessoais, os motivos aparentes nem sempre são os reais. "Se um casal tem dificuldades financeiras e só um dos cônjuges é gerador de dinheiro, a crise pode ter como causa a incapacidade do outro de acumular renda. A questão, então, não é financeira, e sim da auto-estima de uma das partes. Se a crise decorre de insatisfação sexual, é importante que o casal mantenha diálogos francos sobre o assunto e busque soluções criativas e amorosas para resolvê-lo. Já se a queixa se relaciona com a interferência das famílias, na verdade, o problema gira em torno da falta de autonomia individual do casal", conclui.
E por aí vai. Assim, é sempre importante buscar o que está oculto, que não é dito nas críticas e reclamações, ou seja, o que realmente está por trás daquela insatisfação. A melhor solução vai ser sempre, para desespero de muitos homens que detestam discutir a relação, o diálogo. Sim, eles odeiam as famosas DR's, mas é impossível bancar o 'advinha' em situações do tipo. Expor as dificuldades e o sentimento e deixar o outro se manifestar também é essencial para encontrar uma solução.
Até porque, começar uma briga não costuma ser difícil. Uma irritação daqui, uma falta de carinho dali, um ciúme exagerado acolá e pronto: bateu a instabilidade. Mas apenas a existência desses sintomas realmente caracteriza uma crise? O psicanalista e sociólogo Roberto Dantas afirma que não: "Viver a dois é uma experiência difícil, pois demanda o amadurecimento de cada um. Frustrações, mau-humor e irritação são sintomas de conflitos pessoais que se projetam na vida em comum".
Bem, mas se um conflito não representa crise, vários certamente facilitam sua construção. A fisioterapeuta Ana Helena Póvoa comenta que sua relação foi se desgastando aos poucos. "Ele se dedicava muito ao trabalho e foi me deixando de lado, se desinteressando. No início, eu me empenhei em melhorar as coisas, mas o Cláudio permaneceu indiferente. Então, comecei a sair sem ele, o que nunca acontecia antes. Com muito ciúme, ele passou a agir de forma grosseira comigo, sempre discutindo e gritando. Depois de um tempo, cansei, não valia mais a pena. Estava agüentando viver como amigos, mas tanta agressão verbal eu não suportei", afirma.





