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Colunistas

Rosana Caiado
Há pessoas que te ofuscam com o simples (e interessante) jeito de ser
José Guilherme Vereza
Apelidinhos carinhosos são comuns entre casais... até na cama
Verônica Volúpia
A Astrologia prevê: vêm aí tempos de muito prazer e grandes dúvidas...
Beth Valentim
Mais um ano de muita superação passou para nós, mulheres. E vencemos!
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Últimos foruns
Cara editora do portal Bolsa de Mulher, peço sua compreensão no atraso da coluna e quero que saiba que não voltará a acontecer, não foi por mal, é que estou com uma dor de cabeça de ver estrelas, acho que é o que chamam de enxaqueca e não consigo sequer olhar para o monitor, você sabe, enxaqueca não tolera luz e ando mais intolerante do que de costume, devo admitir visto fatos recentes que também estou meio perturbada, assim, pra você ter uma idéia, ontem, atrasada para sair, em vez de perfume, passei atrás da orelha, no colo, no pescoço, nas bochechas e no pulso, demaquilante, só no pulso percebi que era demaquilante, que vem em um frasco azul como o do perfume mas tem consistência oleosa, não é absorvente e não tem cheiro de bebê como o perfume e, pra piorar a situação, eu estava atrasada, já disse isso, né?, e hoje, pra você ter uma idéia, na hora do almoço, na hora de encher o copo com coca light, em vez da lata, virei o vidro de shoyo e completei até a borda. E eu nem estava comendo sushi.
Levanto e vou até o armário do banheiro, puxo a terceira gaveta de baixo para cima, abro a caixa de remédios, atrás de uma neosaldina.
Hoje cedo, a cabeça ainda não doía e saí às ruas como os verdadeiros cronistas fazem à procura de idéias. Sim, porque nunca tenho idéias parada, elas só vêm quando estou em movimento, tomando banho (na hora de esfregar o sabonete com cheiro de bebê), andando ao redor da Lagoa, dirigindo para bem longe, até dentro do elevador, principalmente quando está subindo. Andei até Ipanema e cheguei a pensar em te chamar pra almoçar e falar essas palavras em vez de escrevê-las, e agora, pensando bem, talvez se você tivesse ido, teria evitado que eu misturasse o último gole da minha coca light com shoyo, pena que achei melhor ficar sozinha, já que dizem que a escrita é um ato solitário mas toda vez que ouço isso tenho vontade de pendurar as canetas, porque não gosto de ficar sozinha e tenho medo do escuro.
A caixa de remédios tem Resprin, Naldecon noite, Trimedal, Complexo B, esparadrapo, tintura de jucá, Bisolvon, teste de gravidez, Eno, Luftal, cinco tiras de engov e um pacote aberto de lenço de papel. Neosaldina não tem.
Agora me lembrei de uma noite, há muitas, eu estava de saída para o samba quando fui tomada por uma dor de cabeça semelhante a de hoje. A buzina tocou lá fora e só deu tempo de pegar o remédio e entrar no carro. Chegando no samba, pedi uma água e quando tirei o blister do bolso, me dei conta de que, na pressa, não tinha pego Neosadina, mas Complexo B, que também é redondo, achatado e lembra um confete de chocolate. Sem outra opção, naquela noite, há muitas, tomei o complexo B. E a dor de cabeça passou.
Encontro a Neosaldina sobre a mesa de cabeceira, a do meu lado, não lembro o motivo. Tomo uma, resolvo tomar a segunda e sei que, no final do próximo parágrafo, a dor já vai ter passado.
Voltei de Ipanema, andando ao redor da Lagoa, cheia de dor de cabeça, acho que foi o shoyo, subi de elevador, entrei no banho e esfreguei o sabonete, pensando nessas palavras: minha cara editora, desculpe, mas hoje não tem coluna, avise aos leitores que voltem na semana que vem, diz que eu não estou, que estou no banho, que estou enrolada com um novo trabalho, um trabalho com o qual nunca sonhei mas que, de uma hora pra outra, virou o trabalho dos sonhos, de uma semana pra cá, vem tirando meu sono e tem três noites que sonho com crime, sonho pesadelos terríveis, já fui queimada viva, desapareci há três meses e minha mãe sente minha falta, me roubaram dez mil reais e criaram dezoito cartões de crédito no meu nome, que está sujo na praça, fui traída pela minha melhor amiga que só quer a minha casa com churrasqueira e piscina. Pior mesmo foi na noite passada: a assassina era eu.
Rosana Caiado nasceu no Rio de Janeiro, em novembro de 77. Desde então só quer ser amada. É devota do amor à primeira vista, do amor eterno e do amor após o matrimônio. Seu primeiro amor foi a publicidade, depois flertou com o jornalismo e veio a casar de véu e grinalda com a dramaturgia. Para fugir da rotina, faz aulas de jazz e dança de salão, inventa moda, joga charme e escreve no blog Pseudônimos.  Leia mais deste autor.
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