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Todo mundo anda com ela na bolsa, foi-se o tempo em que era escondida em fundos de gaveta. É vendida em qualquer farmácia, na boca do caixa do supermercado, em banca de jornal, inclusive. É vista até voando feito balão em shows de rock. Assunto recorrente ao se relatar um caso amoroso, "usou ou não usou?", ninguém ousa assumir que não. Na teoria, ela é a companhia ideal das companhias ideais: a camisinha. Mas na prática, será que todo mundo usa mesmo? Na hora "H", naquele exato segundo em que o beijo pega fogo e acende o resto do corpo inteiro, quando não dá mais pra segurar e você pede que o seu parceiro coloque o preservativo, ele topa sem reclamar?
Bem, a gente sabe que, se fosse espontâneo da parte deles, as mulheres não precisariam carregá-las pra cima e pra baixo. Bastaria que os homens as levassem em suas carteiras. Mas o furo é mais embaixo. Se sexo antes do casamento não é mais tabu, é pré-requisito e prevenir-se não é mais necessidade, é quase um ato de higiene pessoal como escovar os dentes, por que ainda há tanta relutância da ala masculina em usar camisinha?
Medo de brochar
Você já tinha parado para pensar na possibilidade de ser puro medo de falhar justo na hora da prova máxima da virilidade? Na opinião do consultor paulista Raul Marinho, de 39 anos, o principal motivo para eles não gostarem de usar a também chamada "camisa-de-vênus" é esse mesmo: "O grande medo de todo homem é sempre brochar".
O gaúcho Fernando Zanetti, de 34 anos, assina embaixo. "Eu moro no sul. Imagina com aquela baita friaca, pelado e procurando ou tentando colocar a bendita camisinha e o tempo correndo... Pô, brochar é uma hipótese real".
Já para o técnico contábil Rafael Paulus, de 26 anos, esse problema fica em segundo plano. "Eu não tenho medo de falhar. Eu até gosto de usar camisinha porque consigo prolongar mais a relação". Ele aponta outro motivo como merecedor da aversão masculina. "O pior é o ato de colocar, ele quebra todo o clima".
Quebrando o clima
Argumento campeão dos campeões, citado por todos entrevistados, a quebra do clima na hora de botar o preservativo foi lembrada inclusive pelas mulheres. A carioca Camila - que prefere não divulgar o sobrenome, de 34 anos, é casada e previne-se contra gravidez com anticoncepcional em implantes subcutâneos. Ela, que tem uma relação de absoluta confiança com o marido, aboliu a camisinha há mais de dez anos. "Essa coisa de ‘pára tudo, bota esse treco', de fato, eu sempre detestei".
Fernando Zanetti concorda. "No auge do momento tem o famoso break, que pode gerar certo relaxamento, afinal eu preciso achar o maldito pacote da camisinha ou a própria camisinha. Onde coloquei? No bolso da calça (estou pelado)? Na carteira? Esqueci no carro? Que lado da cama? No criado mudo? No banheiro? No frigobar? Haja memória! E, principalmente, se eu estiver no trago, ela se esconde certo!".
Mas a empresária paulista Sabrina Martins, de 29 anos, ressalta que a interrupção dos preliminares não pode ser desculpa para não usar. "Por via das dúvidas, eu sempre tenho camisinha na bolsa e em casa. Acho que quebra o clima, sim, mas não me incomodo".
Machismo
Sabrina levanta um ponto interessante da discussão: quem deve prover a camisinha, o homem ou a mulher? É claro que a responsabilidade é mútua e não deveria haver preconceito nem de um lado, nem do outro. Ideal mesmo seria que ambos os parceiros fossem precavidos, afinal, os riscos de contrair doenças e de uma possível gravidez indesejada não são para todos? Mas, na prática, não é o que acontece. Há um machismo pairando no ar. E ele se revela de duas formas:
Camisinha na bolsa: Da parte dos homens, há uma tendência a achar que uma mulher que anda com preservativos na bolsa é, para usar um termo brando, "fácil". "Eu não gosto que uma mulher me dê camisinha. É machismo com certeza e, pior ainda, é preconceito, pois penso: hum, está preparada para tudo e para todos. Mas sei que tenho que rever o meu conceito, afinal, eu prefiro transar com a camisinha que ela me deu do que não transar", admite o gaúcho Zanetti.
Camisinha na carteira: Sair com um cara e descobrir que ele carrega um preservativo no bolso ou na carteira pode soar ofensivo para as mulheres? Esta é outra opinião da ala masculina que reforça a pouca pré-disposição à proteção espontânea. "Ao abrir a carteira para pagar uma conta, lá está a camisinha... E aí, como explicar? Fica uma situação constrangedora, a mulher pensa que você vai transar com ela naquela noite, o que pode acontecer, mas aquela camisinha ali pode estragar tudo", acredita Zanetti. "E levar no bolso da camisa é o fim, pois geralmente os packs são volumosos e com uma cor chamativa", complementa.
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